Biografia

Era o inverno francano de 1915. A jovem Zilda Faleiros Pucci Maniglia Facirolli Bittar Brigagão Pedigone Branquinho Trajano Maragoni lavava roupas às margens do Córrego Cubatão, cantarolando e sonhando com dias melhores. Trabalhava duro para sustentar sozinha suas cinco irmãs menores, Pata, Peta, Pita, Pota e a pequena Berenice, desde que sua mãe desaparecera num show da Expoagro. Sonhava em ser pobre, mas para isso, ainda teria que economizar muito. Já quase na hora de encerrar seu trabalho e ir para sua segunda jornada, como caçadora de ratos no então “Armazém São Paulo”, Zilda avistou ao longe um pequeno e frágil cesto de vime flutuando pelas águas tranquilas do Cubatão. Espantada e curiosa, a jovem aproximou-se da margem e com a ajuda de um galho, trouxe o objeto para perto de si. Ao olhar para o interior do cesto, grande foi sua surpresa: “Meu Deus! É um menino! Quem seria capaz de tamanha crueldade!?”, exclamou. Recuperando-se, pôs-se a observar o bebê. Encantada com a inexplicável beleza da criança, Zilda parecia saber que sua vida estava prestes a mudar: “Que menino lindo! Seu sorriso revela a inocência e esperança infantil, seus olhos refletem a luz do sol, por isso, vou chama-lo de Estagiário”, pensou, ternamente. A jovem lavadeira saiu do córrego carregando o menino no colo, cobrindo-o com um alvo lençol. Preocupada, escondia-se de qualquer transeunte para que, tão jovem, não fosse vista com a criança. Decidiu correr até o prédio do recém inaugurado Jornal Commércio da Franca, para deixar o bebê com sua madrinha de consideração, a Colunista Imperial Patrícia, para que pudesse chegar em tempo ao seu trabalho noturno no Armazém. Relutante, a Sra. Patrícia aceitou cuidar provisoriamente do bebê, pois entendia a vida sofrida da primogênita da mulher que fora sua dama de companhia nos tempos do rádio mudo. Naquela noite, Zilda não voltou para casa e seu paradeiro nunca mais foi descoberto. A Sra. Patrícia, então, deu conta da criação do bebê que cresceu entre as impressoras e redação do Jornal em que era colunista. Estagiário era querido por todos. Logo que começou a dar seus primeiros passos, foi encarregado de fazer as entregas aos assinantes. Foi alfabetizado e tomou gosto pelo jornalismo quando teve experiências na redação, reportagens, colunas ou preparando o Cremogema do Correia Neves Junior, sempre assistido com carinho e zelo por sua protetora, Sra. Patrícia. Desde então, por motivos desconhecidos e, creio, mágicos, Estagiário nunca cresceu. Com inocência infantil, escreve as notícias tal como as entende. Tudo lhe é fantástico e lúdico. Nunca saiu de Franca, território que para ele é o próprio mundo. Nada é tão grandioso no mundo que não caiba em Franca, e nada de Franca é tão pequeno que não ganhe proporções mundiais. Comprometido com sua verdade, Estagiário deixou o almoxarifado do GCN onde morava e seguiu seu próprio destino, com o mesmo espírito jovial e laborioso de sua mãe. Montou sua própria página e, errante, solitário e destemido tal como um paladino, busca notícias com paixão e sede de justiça.

Autor desconhecido.

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